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ALTERNATIVAS PARA O MERCADO EXTERNO

A redução da demanda mundial e o aumento de medidas protetivas são apontados como alguns dos desdobramentos da desaceleração da economia mundial. Diante de tal cenário, a necessidade de incrementar o dinamismo das exportações de manufaturados e a atuação das trading companies como instrumento para que a indústria de menor porte possa colocar seus produtos em outros países são alternativas defendidas pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e pela Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), segundo o vice-presidente da ACSP, Luiz Roberto Gonçalves.

Durante o evento "A Inserção do Brasil no Comércio Internacional", promovido pelo Conselho Brasileiro das Empresas Comerciais Importadoras e Exportadoras (Ceciex), autoridades e especialistas debateram propostas para tornar o País competitivo e ampliar sua presença no mercado externo. Para o secretário-adjunto de relações internacionais da cidade de São Paulo, Guilherme Mattar, não há dúvida de que o Brasil tem a prioridade na atenção dos países desenvolvidos, principalmente pela realização de grandes eventos esportivos que permitirão impulsionar a economia.

Porém, mesmo em clima de expectativa, é preciso observar que o País cresce, mas perde espaço no comércio exterior, conforme avaliação do professor da FGV, Manoel de Andrade e Silva Reis. Segundo o especialista, um dos fatores que limitam a competitividade é a infraestrutura logística. "Crescemos muito e há um gargalo nesse campo. A logística é um instrumento importante para a competitividade e temos um problema de tempo muito sério, uma vez que clientes são cada vez mais exigentes."

Para o vice-presidente da Associação Brasileira de Empresas de Comércio Exterior (Abece), Edmundo Pinho Ayres, não se tem um caminho [na condição logística atual] em que se possa reduzir custos e burocracia. Sua crítica está no fato de existirem projetos, porém sem resultados concretos.

A questão da burocracia também foi destacada pelo presidente em exercício da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. "Infelizmente, a burocracia participa de todos os processos, dos mínimos detalhes até os mais complexos", disse ao criticar o emaranhado de órgãos que atuam na área. O especialista defendeu que o comércio exterior eliminou a vulnerabilidade externa do País, mas pontuou que os recordes de exportações "não foram por ações nossas, e sim pela demanda do mundo".

Na visão do coordenador do Ceciex, Roberto Penteado de Camargo Ticoulat, falta ao Brasil políticas de Estado e a China tem sido usada como pretexto, tanto pelo governo como pela sociedade, para esconder deficiências. Ticoulat defende um programa de desoneração para o setor industrial em que não se tenha a geração de créditos, mas no qual a folha de pagamentos seja desonerada. Para o especialista, os problemas tributários são difíceis de serem resolvidos e, em consequência, não se consegue agregar valor aos produtos.

De acordo com Marcelo Rolemberg, executivo do setor das tradings, as empresas precisam inovar em tecnologias e vencer o "discurso fracassado sobre câmbio". Para ele, não se pode falar em problema de demanda. "O País é procurado, mas quando mandamos nossa pro forma, perdemos negócios em função do preço e não é em razão do câmbio, mas dos tributos e encargos atrelados ao valor do produto", concluiu.

NOVOS RUMOS

Para ampliar sua força e imprimir maior representatividade em prol das trading companies, o Conselho Brasileiro das Empresas Comerciais Importadoras e Exportadoras (Ceciex) passará a ser uma entidade à parte da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Para tanto, foi finalizado um novo estatuto, que permitirá ao conselho ampliar sua atuação no campo nacional, buscar representações e contar com a contribuição e a participação das comerciais importadoras e exportadoras de todo o País.

Segundo o coordenador do Ceciex, Roberto Penteado de Camargo Ticoulat, a mudança promoverá maior mobilização nacional para que as empresas comerciais possam ampliar o processo de internacionalização.

Entre os pontos defendidos pelo Ceciex estão a necessidade de criar um CNAE especial para as empresas do setor; utilização de créditos tributários para pagamento de encargos previdenciários; intensificação de acordos comerciais, com enfoque para o fato de que o Brasil precisa usar seu peso político no Mercosul para fechar acordos; inclusão da prestação de serviços de industrialização no drawback; aprimoramento das operações logísticas; e a regulamentação das operações de back to back.

BRASIL TRADE GUIDE

O diretório Brasil Trade Guide é uma evolução das ações da Apex-Brasil para promover as pequenas e médias empresas no mercado internacional por meio de trading companies. Sua base de dados lista aproximadamente 730 empresas comerciais exportadoras, que passam pelo crivo da agência.

O diretório recebeu diversas melhorias para facilitar a sistemática de busca, como a implementação da pesquisa por razão social, código da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) ou cidade. Outra novidade apresentada pelo coordenador de projetos especiais da Apex-Brasil, Maurício Manfré, durante evento promovido pelo Ceciex, é a opção de consulta em mandarim para atender às necessidades do Centro de Negócios em Pequim e das embaixadas localizadas na China.

Também será possível a identificação pelo setor de atuação, além de oferecer às empresas cadastradas acesso à lista de compradores internacionais. Vale lembrar que empresas localizadas no exterior somente podem visualizar a lista de exportadores brasileiros. (Redação: Andréa Campos)?

Fonte: Aduaneiras