Brasil poderia dobrar exportações de frutas
Pesquisa realizada por engenheiro agrônomo da USP de Ribeirão Preto mostra os gargalos nas vendas externas das frutas frescas. Se corrigidos, país poderia dobrar ou triplicar as exportações.
São Paulo – Apesar de ser um grande produtor de frutas, o Brasil não exporta tanto quanto poderia. Falhas na parte de infraestrutura e logística, na estruturação da área internacional das empresas e o desconhecimento das normas de qualidade de outros países fazem com que as exportações de frutas frescas brasileiras se restrinjam a apenas 0,5% da produção do país. No entanto, uma pesquisa realizada pelo engenheiro agrônomo José Guilherme Ambrósio Nogueira, pela Pós Graduação em Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da Universidade de São Paulo, aponta caminhos e estratégias para que os produtores possam mudar esse cenário.
"A fruta brasileira é de extrema qualidade. Temos um grande volume de exportações de melão e uva, mas, às vezes, não conseguimos uma padronização dessa qualidade", comenta Nogueira. Segundo o engenheiro, os problemas nas exportações de frutas frescas começam no transporte, que muitas vezes não é adequado, podendo apresentar falhas desde quando as frutas são colhidas e colocadas em caminhões sem a refrigeração adequada, até a demora em chegar ao país de destino, quando o transporte é feito por via marítima.
"Utilizar o modal aéreo tem um custo muito alto. Chega a aumentar, em média, de 10% a 15% no valor da carga", aponta. Problemas com o registro de agrotóxicos e com exigências mais criteriosas apresentadas por alguns países também são entraves que seguram o aumento das vendas externas.
A pesquisa de Nogueira utilizou dados do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), que mostram que o mercado de fruticultura brasileiro movimenta anualmente cerca de US$ 6 bilhões. As exportações, no entanto, representam apenas uma pequena parte deste valor. Em 2010, o Brasil vendeu para o exterior o equivalente a US$ 700 milhões em frutas frescas.
Se estes problemas fossem resolvidos, qual seria o resultado alcançado? "No mínimo dobrar ou até triplicar a exportação de frutas", afirma o engenheiro, que atua como gestor e consultor de agronegócios do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Atualmente, as frutas mais exportadas pelo Brasil são melão, banana, manga, maçã e uva. O melão é a principal fruta vendida ao exterior, representando 24% do volume de produção e 22% do volume financeiro da pauta de exportações de frutas frescas brasileiras.
Atualmente, o principal destino das frutas frescas do País é a Holanda. "A Holanda é um hub de distribuição na Europa", aponta o pesquisador. Em seguida, os maiores compradores do Brasil são o Reino Unido, Espanha e Estados Unidos.
Em sua pesquisa, Nogueira traçou algumas estratégias que visam ajudar as empresas brasileiras a aumentarem seu potencial exportador. Ele pesquisou 36 empresas do setor, em todo o país, em cinco categorias em relação à exportação, começando com aquelas que nunca venderam ao exterior até as que já têm presença física no mercado internacional. Entre as soluções apontadas estão a realização de programas de capacitação, a participação em rodadas de negócios, o investimento em ações de marketing, até a participação em feiras internacionais e missões de prospecção.
Desta forma, relata Nogueira, é possível alcançar também outros mercados com grande potencial de compras das frutas brasileiras, como Alemanha, Rússia, Canadá, Portugal, Hong Kong e os Emirados Árabes Unidos. "Os Emirados são um dos mercados-alvo do setor, estão muito em foco", afirma. "A África do Sul é o nosso principal concorrente nesse mercado. Os Emirados compram 22% das frutas que consomem daquele país, enquanto o Brasil fornece apenas 0,75%".
Além da África do Sul, os principais concorrentes do Brasil no mercado internacional de frutas frescas são Espanha, Chile e Estados Unidos. De acordo com Nogueira, um dos problemas apontados pelos empresários para as vendas aos Emirados é o longo prazo de pagamento pedido pelos compradores. "Eles pedem um longo prazo de pagamento, de até seis meses", diz. Entretanto, também é um mercado que apresenta vantagens quanto ao tipo de produto que pode ser vendido. "Nos Emirados, você pode vender produtos mais caros, de maior valor agregado", aponta.?
Por : Aurea Santos, Agência de Notícias Brasil Árabe, 26/12/2011